Pesquisa da Forrester identificou que 82% dos executivos C-level acreditam que seus times de marketing e vendas estão alinhados. No mesmo levantamento, 65% dos profissionais que executam o trabalho reportam desalinhamento entre as lideranças das duas áreas. Essa discrepância não é apenas um problema de percepção.
Na verdade, ela é o sintoma mais visível de como os dois departamentos foram estruturados, desde a formação de seus profissionais, para utilizar métodos e métricas diferentes para atingir um objetivo que, no fim, é único. Ou seja, gerar crescimento para a empresa por meio da conquista e da expansão de clientes.
Mais do que um problema de comunicação entre departamentos, essa fragmentação reduz a capacidade da empresa de construir crescimento previsível.
A raiz estrutural do desalinhamento entre marketing e vendas
O desalinhamento não é resultado de conflitos entre equipes. Ele é consequência de um modelo de gestão que mede sucesso por indicadores diferentes ao longo da mesma jornada do cliente.
Enquanto o primeiro tradicionalmente é avaliado por sua contribuição para a geração e o desenvolvimento de oportunidades, o segundo é cobrado pelo avanço dessas oportunidades ao longo do processo comercial e pela conversão em negócios fechados. Consequentemente, cada área mensura seu sucesso de forma distinta, o que também contribui para a perpetuação do problema.
Além disso, equipes de marketing e vendas colaboram em apenas 3 das 15 principais atividades comerciais mapeadas pelo Gartner. Paralelamente, apenas 8% das empresas alcançam um alinhamento forte entre as duas áreas.
O baixo aproveitamento de conteúdo B2B é um dos sinais mais diretos da falta de alinhamento entre marketing e vendas. Em média, entre 60% e 70% do conteúdo produzido pelo marketing não são utilizados pelas equipes comerciais. O problema, portanto, não é produzir mais conteúdo. É produzir ativos que participem efetivamente da evolução das oportunidades comerciais.
Isso expõe uma desconexão estrutural entre as áreas, uma vez que as equipes deixam de utilizar, nos pontos críticos da jornada de compra, materiais criados para impulsionar oportunidades, demonstrando que o conteúdo ainda não está integrado ao processo comercial, sendo produzido mais como volume do que como apoio real à geração de receita.
Por que marketing e vendas não podem mais operar separadamente
Manter marketing e vendas operando separadamente não é apenas uma questão de modelo organizacional. Hoje, essa configuração representa uma desvantagem competitiva mensurável, independentemente do porte ou segmento da empresa.
Isso ocorre porque a pressão sobre os gestores de marketing e vendas vem crescendo de diferentes frentes. Ao mesmo tempo em que precisam justificar investimentos diante de orçamentos mais restritos, ambos enfrentam um mercado cada vez mais competitivo. Como resultado, o CAC (Custo de Aquisição de Clientes) aumenta e torna o crescimento mais difícil de sustentar ao longo do tempo.
Paralelamente, a jornada de compra se tornou mais complexa, envolvendo mais etapas de avaliação e um número maior de decisores ao longo do processo. Por exemplo, por muitos anos, diversas relações comerciais foram sustentadas pela longevidade dos relacionamentos ou pela escassez de alternativas capazes de oferecer produtos e serviços com nível semelhante de qualidade.
Atualmente, a maior disponibilidade de soluções com grau semelhante de qualidade amplia as opções disponíveis e afeta a percepção de valor, ao dificultar a distinção entre fornecedores. Nesse cenário, critérios de avaliação de menor complexidade, como preço e prazo, tendem a ganhar peso desproporcional na decisão.
Além disso, segundo levantamento do Gartner, 63% dos CMOs apontam restrições de orçamento e recursos como seu principal desafio, o que aumenta diretamente a pressão por comprovar o retorno de cada iniciativa de aquisição.
Diante desse cenário, os investimentos realizados por marketing e vendas precisam ser plenamente justificáveis e demonstrar retorno concreto para o negócio. Nesse sentido, métricas como ROI (Retorno sobre o Investimento) funcionam como evidências da capacidade dessas iniciativas de gerar receita e contribuir para o crescimento da empresa.
A fatura que chega em partes: o impacto do desalinhamento marketing e vendas nas empresas B2B
Os efeitos da fragmentação entre marketing e vendas vão além da relação entre as duas áreas. Quando não há alinhamento marketing e vendas, oportunidades deixam de avançar ao longo da jornada comercial e investimentos deixam de gerar o retorno esperado.
Como consequência, a empresa passa a enfrentar mais dificuldade para transformar esforços em crescimento sustentável.
O impacto financeiro desse desalinhamento é expressivo. Estima-se que a falta de alinhamento entre marketing e vendas custe às empresas cerca de 1 trilhão de dólares por ano em produtividade perdida e investimentos desperdiçados.
Além disso, pesquisa da Forrester com executivos C-level de organizações B2B mostra que 45% reconhecem que a falta de alinhamento está diretamente associada a experiências de cliente piores, enquanto 36% afirmam que essa desconexão compromete a capacidade da empresa de crescer.
Para onde o mercado B2B caminha nos próximos anos
A tendência aponta para a redução progressiva dessa separação como estrutura organizacional. A inteligência artificial acelera esse movimento, mas seu impacto depende da forma como as empresas estruturam dados e processos, já que ela amplia padrões existentes, seja de integração ou de ineficiência.
Na prática, essa fragmentação se manifesta na forma como marketing e vendas registram e compartilham informações dentro do CRM (Customer Relationship Management). Cada área alimenta o sistema com objetivos próprios, o que gera inconsistências de dados e reduz a visibilidade sobre a evolução das oportunidades. A partir disso, as equipes passam a interpretar de maneiras diferentes a mesma jornada comercial, o que dificulta uma visão contínua do cliente ao longo do processo de compra.
Segundo o Gartner, até 2026, 60% dos projetos de IA devem ser abandonados por falta de dados preparados para sustentá-los.
Esse cenário se intensifica quando a baixa qualidade dos dados compromete a análise e a inteligência de negócios. Sem bases estruturadas, modelos de machine learning perdem precisão e reduzem a confiabilidade das previsões, o que limita sua aplicação em decisões comerciais.
Uma só meta, um só funil no alinhamento marketing e vendas
Reorganizar o organograma é um primeiro passo para sanar esse problema, mas está longe de ser suficiente. É preciso uma mudança mais profunda na lógica de como a empresa organiza e opera, fazendo com que marketing e vendas passem a partilhar métricas comuns. Ainda assim, parte dessa resposta está nos RevOps.
O HubSpot identificou em seu State of Sales 2025 que vendedores em organizações com alinhamento marketing e vendas têm 103% mais chances de superar suas metas. Organizações alinhadas também registram ciclos de venda 30% mais curtos e taxa de conversão 73% maior quando o conteúdo de marketing está mapeado para etapas específicas da jornada de compra.
RevOps e a superação dos silos organizacionais
Por sua vez, empresas que contam com funções formais de RevOps (Revenue Operations) registram crescimento de receita 19% mais rápido e lucratividade 15% maior em comparação com organizações que ainda mantêm marketing e vendas operando de forma isolada, conforme a InTandem. RevOps não representa apenas uma nova estrutura organizacional. Representa uma mudança de lógica, substituindo metas departamentais por responsabilidade compartilhada sobre receita.
Esses resultados ajudam a explicar a crescente adoção desse modelo, que busca alinhar marketing, vendas e sucesso do cliente em torno de processos, dados e métricas compartilhados. Assim, reduz atritos entre áreas e cria condições para um crescimento mais previsível.
O que muda na previsibilidade de crescimento com alinhamento marketing e vendas
A percepção de alinhamento marketing e vendas se mantém até o momento em que as empresas integram a análise dos resultados. Nesse ponto, os dados evidenciam que a execução ainda responde a estruturas distintas de medição e responsabilidade.
Isso ocorre porque a previsibilidade não depende de ajustes isolados. Quando o gestor incorpora essa leitura, passa a revisar a própria premissa de que marketing e vendas já operam de forma alinhada. Na prática, ela se estabelece quando as empresas passam a avaliar marketing e vendas pelo mesmo resultado de negócio ao longo de toda a jornada, desde o primeiro contato até o fechamento.
Sua empresa mede geração de leads ou geração de receita?
Empresas não crescem porque marketing gera leads ou porque vendas fecha contratos. Crescem quando toda a operação comercial trabalha para produzir o mesmo resultado. Enquanto marketing e vendas continuarem sendo avaliados por métricas diferentes, a empresa tende a acumular esforço sem construir crescimento previsível.
O Grupo I.C.E. apoia empresas B2B na construção de modelos de crescimento em que marketing, vendas e inteligência de mercado atuam de forma integrada, compartilhando objetivos, indicadores e responsabilidade pelos resultados.
Se você quer entender como esse modelo pode ser aplicado à sua realidade, o próximo passo é agendar uma conversa.
- Por: Marketing | Grupo I.C.E.
- Postado em: 23 de junho de 2026
- Tags: Comercial, Consultoria de Marketing e Vendas, Gestão, inbound marketing, Marketing, marketing digital, Resultados, vendas